Ciência

3I/Atlas atinge ponto mais próximo do Sol e entra em nova fase de observações

Objeto interestelar inicia sua jornada de volta ao espaço profundo após atingir o periélio; missões da Nasa e ESA acompanham de perto o fenômeno cósmico
Por NR Support

O 3I/Atlas, o terceiro objeto interestelar já identificado pela ciência, atingiu no dia 29 de outubro seu periélio — o ponto mais próximo do Sol em sua trajetória. O fenômeno marca o início da fase de saída do visitante cósmico, que deve continuar sendo monitorado por missões espaciais durante os próximos meses.

O visitante de fora do Sistema Solar

Detectado pela primeira vez em julho pelos telescópios do sistema Atlas, da Nasa, o 3I/Atlas vem despertando o interesse da comunidade científica por sua origem extrassolar. É o terceiro corpo celeste de fora do Sistema Solar já observado, depois do 1I/ʻOumuamua (2017) e do 2I/Borisov (2019).

O  objeto interestelar  segue uma trajetória hiperbólica — ou seja, não está preso gravitacionalmente ao Sol e não retornará. Mesmo assim, o periélio é o ponto mais próximo que ele atingirá em relação à nossa estrela: cerca de 203 milhões de quilômetros. Durante este período, o Atlas ficou oculto atrás do Sol e, por isso, invisível a partir da Terra.

Cauda mais brilhante e novas oportunidades de estudo

Quando cometas se aproximam do Sol, o calor provoca a sublimação — processo em que o gelo passa diretamente do estado sólido para o gasoso. Isso forma uma nuvem de poeira e gás chamada coma, que se expande e, ao ser empurrada pelo vento solar, cria a cauda característica. Assim, quando o Atlas voltar a ser visível por telescópios terrestres, no fim de novembro, deve aparecer mais brilhante e volumoso.

Além da observação feita da Terra, várias missões espaciais estão posicionadas para acompanhar o fenômeno. A espaçonave Juice, da Agência Espacial Europeia (ESA), será uma das mais próximas do cometa, podendo registrar dados inéditos sobre sua composição. Outras sondas, como a Lucy e a Psyche, ambas da Nasa, também terão o Atlas em seus campos de visão nas próximas semanas, ampliando a coleta de informações.

3iatlas perto do sol 3

Revelações sobre a origem do cometa e da matéria interestelar

O estudo do 3I/Atlas durante seu periélio é essencial para compreender sua composição química. As análises iniciais já revelaram que ele contém uma quantidade incomum de dióxido de carbono (CO₂) e traços de níquel, elementos raros em cometas tradicionais. Essas descobertas sugerem que o corpo celeste pode ter se formado em um sistema solar mais antigo e frio que o nosso.

Os astrônomos estimam que o Atlas tenha cerca de 7 bilhões de anos, o que o torna possivelmente mais antigo que o próprio Sistema Solar, com 4,6 bilhões de anos. Essa longevidade o transforma em uma verdadeira cápsula do tempo, oferecendo pistas sobre a formação de outros sistemas planetários na Via Láctea.

Em 19 de dezembro, o Atlas alcançará seu ponto mais próximo da Terra, a aproximadamente 270 milhões de quilômetros de distância. Não há risco de colisão — o cometa seguirá sua rota para o espaço interestelar, levando consigo fragmentos de uma história cósmica que antecede a nossa própria origem.

3iatlas perto do sol 2