Instagram nega escuta de conversas no Brasil e explica anúncios
Chefe do Instagram, Adam Mosseri, esclarece que plataforma não utiliza microfones para direcionar publicidade aos usuários brasileiros.
Por Redação
O Instagram voltou a enfrentar questionamentos sobre a privacidade de seus usuários após especulações sobre o uso de microfones para direcionar anúncios. Em vídeo recente, Adam Mosseri (foto), chefe da plataforma, negou categoricamente a prática e explicou como a rede social seleciona anúncios de forma precisa sem recorrer à escuta de conversas. A Meta, empresa controladora do Instagram, Facebook, Threads e WhatsApp, baseia sua receita principalmente em publicidade direcionada, o que aumenta o interesse público sobre o funcionamento desse mecanismo.
Mosseri destacou que a utilização do microfone para espionagem seria uma violação grave da privacidade. “Se fizéssemos isso, você notaria consumo excessivo de bateria e uma luz indicativa no topo da tela mostrando que o microfone está ativo”, afirmou. A declaração visa tranquilizar os usuários sobre a segurança de suas informações pessoais e reforça que os anúncios certeiros são resultado de outros fatores, não de monitoramento de conversas.
Como o Instagram seleciona anúncios direcionados
Segundo Mosseri, existem quatro principais mecanismos que explicam coincidências percebidas pelos usuários:
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O comportamento de navegação do próprio usuário, incluindo pesquisas ou cliques relacionados a produtos, influencia diretamente quais anúncios são exibidos.
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Parcerias da Meta com anunciantes permitem que informações sobre visitas a sites sejam utilizadas para segmentar publicidade de forma mais eficiente.
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O comportamento de amigos ou usuários com perfis semelhantes também impacta os anúncios exibidos, já que interesses compartilhados no círculo social podem gerar coincidências.
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Por fim, a exposição anterior a anúncios, mesmo sem percepção consciente, e o elemento do acaso podem levar a coincidências que parecem “previsões” de conversas recentes.
Mosseri admitiu que convencer usuários que já acreditam na teoria da escuta é difícil, ressaltando que algumas pessoas simplesmente não aceitarão explicações baseadas em dados e algoritmos.
Histórico da polêmica e políticas de privacidade
A Meta e seu CEO, Mark Zuckerberg, negam desde 2016 o uso não consensual de microfones em seus aplicativos. Em páginas de suporte, a empresa esclarece que o microfone é ativado apenas quando recursos específicos exigem, como gravação de stories ou conversas de voz com a Meta AI.
A discussão sobre a privacidade ocorre em um momento de expansão significativa do Instagram. Em setembro de 2025, a plataforma alcançou três bilhões de usuários mensais, consolidando-se como um dos aplicativos de maior consumo no mundo. Para sustentar esse crescimento, o Instagram tem priorizado os vídeos curtos do Reels e as mensagens privadas (DMs), ajustando sua barra de navegação para dar destaque a esses recursos logo na tela inicial.
Impacto e percepção do usuário no Brasil
No Brasil, a preocupação com privacidade e segurança digital é intensa, especialmente em meio à crescente digitalização e consumo de conteúdos online. A explicação de Mosseri busca aumentar a transparência sobre o funcionamento dos algoritmos de anúncios, enfatizando que o direcionamento não se baseia em espionagem, mas sim em análise de comportamento digital, padrões de navegação e interações sociais.
Especialistas apontam que esse esclarecimento é fundamental para a manutenção da confiança do público, visto que a publicidade personalizada é um componente central do modelo de negócios da Meta. A conscientização dos usuários sobre como seus dados são utilizados ajuda a reduzir mal-entendidos e mitos que se espalham rapidamente nas redes sociais.
O Instagram reforça, portanto, que o foco está na experiência do usuário e na relevância dos anúncios exibidos, mantendo o compromisso com a privacidade e evitando práticas que poderiam violar direitos digitais.


