Brasil fica fora da elite global da IA
Ranking internacional mostra que país avança em políticas públicas, mas ainda enfrenta desafios em infraestrutura, talentos e inovação em inteligência artificial.
Por NR Support
O Brasil ficou fora do grupo de elite das nações mais preparadas para liderar a revolução da inteligência artificial. Segundo o Government AI Readiness Index 2026, elaborado pela Oxford Insights, o país ocupa a 22ª posição no ranking global de prontidão para inteligência artificial, ficando atrás de economias como Estônia e Áustria.
O levantamento avalia anualmente a capacidade dos países em desenvolver, implementar e governar tecnologias de IA. Entre os critérios analisados estão estratégia governamental, infraestrutura digital, ambiente de inovação, conectividade, disponibilidade de dados e formação de talentos especializados.
Países líderes concentram tecnologia e investimentos
Os países mais bem posicionados no ranking continuam sendo aqueles que reúnem grandes centros de pesquisa, ecossistemas tecnológicos robustos e investimentos bilionários em inovação. Os Estados Unidos lideram com 88,36 pontos, seguidos por França (80,81) e Reino Unido (77,75).
Também aparecem entre os dez primeiros Holanda, Coreia do Sul, Alemanha, Singapura, China, Austrália e Noruega.
O estudo aponta que as nações mais preparadas para regular a inteligência artificial são, em geral, as mesmas que lideram a criação de modelos avançados, infraestrutura computacional e aplicações em larga escala.
Brasil avança, mas ainda enfrenta gargalos
Com pontuação de 69,55, o Brasil aparece acima da média da América Latina, estimada em 35,20 pontos. O desempenho brasileiro é considerado sólido em áreas como digitalização do setor público, formulação de políticas e conformidade regulatória.
No entanto, o país ainda enfrenta limitações em setores considerados estratégicos para o avanço da inteligência artificial. Entre os principais gargalos estão a capacidade computacional, a maturidade do setor privado voltado à IA e a formação de profissionais altamente especializados.
Especialistas do setor alertam que a competitividade global em inteligência artificial depende de uma combinação de fatores. Não basta apenas regulamentar: também é necessário investir em infraestrutura tecnológica, educação, inovação e atração de empresas do setor.
Segundo Felipe Matos, o debate regulatório brasileiro precisa encontrar equilíbrio para não dificultar a evolução do setor. Ele alerta que exigências excessivas ligadas a direitos autorais podem elevar custos operacionais e reduzir a competitividade de empresas nacionais.
Já Guilherme Freire destaca que o maior risco para o Brasil não seria criar uma inteligência artificial inferior, mas sim atrasar a chegada de novas tecnologias ao mercado nacional. Isso poderia tornar soluções avançadas mais caras e menos acessíveis.
Apesar dos desafios, especialistas enxergam uma oportunidade estratégica para o Brasil. O país ainda pode ganhar protagonismo se conseguir estruturar regras claras, atrair investimentos e construir um ambiente favorável para inovação em IA.
