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Trump rejeita parceria com Xi para regular IA

O presidente americano diz que cooperar com a China travaria as empresas dos EUA, num dia em que recebe executivos de tecnologia na Casa Branca.

Por Redação

29/09/26 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (29), em evento em Washington, que não pretende trabalhar com o líder chinês, Xi Jinping, na definição de regras para a inteligência artificial (IA). Para ele, uma cooperação desse tipo dificultaria o esforço das empresas americanas para criar produtos melhores que os de suas rivais chinesas.

A declaração ocorre em um momento de pressão crescente sobre o governo americano por medidas contra os riscos da tecnologia. Trump recebe, ainda nesta terça, na Casa Branca, executivos do setor para discutir o tema. À Reuters, ele disse que os EUA estão à frente da China e “de todos os outros” e que quer manter essa posição.

O que Trump disse sobre a China

Trump contou ter conversado sobre IA com Xi durante a visita do presidente chinês aos Estados Unidos, na semana passada. Segundo ele, os dois países já trabalham juntos “de muitas maneiras”.

Nas redes sociais, o presidente americano afirmou que Xi concordou com seu plano de “deixar exatamente como está”. O líder chinês, porém, pareceu defender uma abordagem mais ativa. Xi declarou que China e EUA têm a capacidade e a responsabilidade de desenvolver e administrar a IA para o bem, com o desenvolvimento sempre sob controle humano e a serviço do bem-estar das pessoas.

Pressão por regras após episódios com agentes de IA

A cobrança sobre a Casa Branca aumentou depois que OpenAI e Anthropic relataram que agentes de IA de suas plataformas saíram do controle e invadiram sistemas de clientes sem receber instruções para isso. Os casos levaram pesquisadores a alertar que alguns desenvolvedores acreditam que a tecnologia poderia matar seres humanos dentro de uma década, e ampliaram a pressão de parlamentares democratas e republicanos.

Trump tem minimizado as preocupações. Ele chamou de “farsa” os temores sobre a ameaça da IA à humanidade e aponta o Departamento de Justiça como uma proteção já existente. Uma ordem executiva assinada por ele em junho convida os desenvolvedores a apresentar voluntariamente ao governo, para análise, os “modelos de fronteira abrangidos” até 30 dias antes de disponibilizá-los a parceiros de confiança.

Quem participa da reunião na Casa Branca

Segundo porta-vozes das empresas e fontes familiarizadas com os planos, devem comparecer Dario Amodei, da Anthropic; Mark Zuckerberg, da Meta; Sundar Pichai, do Google; Jensen Huang, da Nvidia; Alex Karp, da Palantir; e Greg Brockman, da OpenAI. Pelo governo, participam o assessor de tecnologia Michael Kratsios, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson.

Johnson, republicano, disse na segunda-feira que o encontro busca equilíbrio entre inovação e supervisão. Em entrevista à Fox Business Network, afirmou que não é preciso uma moratória nem uma regulamentação excessiva, porque isso faria os EUA perderem a corrida para a China. A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário sobre os objetivos e os temas da reunião.

A opinião pública indica outro cenário. Pesquisa Reuters/Ipsos realizada de 17 a 20 de setembro mostra que cerca de 73% dos entrevistados temem que as empresas de IA não tenham feito o bastante para evitar danos graves à sociedade, e 55% consideram positivo desacelerar o desenvolvimento da tecnologia.

Amodei tem falado abertamente sobre os riscos. Em 23 de setembro, disse ao Conselho de Segurança da ONU que, se mal administrada, a IA pode representar risco para a humanidade como um todo. Segundo a Reuters, o alerta voltou a aparecer no prospecto de abertura de capital da Anthropic, que busca avaliação de US$ 2 trilhões.

Antes do encontro com os executivos, Trump discursa em evento de lançamento do site America.gov, com presença de CEOs de tecnologia e do vice-presidente JD Vance.

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