El Niño se fortalece no Pacífico e impactos podem surgir já em julho
Por Redação
O aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial voltou a ganhar intensidade nas primeiras semanas de junho e reforça as projeções de desenvolvimento do fenômeno El Niño ao longo de 2026. Dados atualizados por centros de monitoramento climático apontam que as temperaturas da superfície do mar seguem em trajetória de alta, enquanto modelos meteorológicos indicam que os primeiros reflexos na atmosfera podem começar a ser percebidos já a partir de julho.
As medições mais recentes mostram que a região conhecida como Niño 3.4, uma das principais áreas utilizadas para acompanhar a evolução do fenômeno, registrou aumento das anomalias de temperatura. O comportamento observado nas últimas semanas fortalece a expectativa de que o aquecimento continue avançando durante o inverno e a primavera do Hemisfério Sul.
Especialistas destacam que o monitoramento do Pacífico é fundamental porque as alterações térmicas nessa região têm capacidade de influenciar os padrões climáticos em diversas partes do planeta, incluindo a América do Sul.
Aquecimento do oceano segue em expansão
O avanço das temperaturas não se restringe à região central do Pacífico. Outras áreas monitoradas também apresentam aquecimento significativo, com destaque para a faixa próxima à costa oeste da América do Sul.
A persistência desse cenário tem chamado a atenção dos meteorologistas, já que os valores observados permanecem acima da média histórica há várias semanas consecutivas. Esse comportamento indica uma tendência consistente de fortalecimento do fenômeno, reduzindo as chances de retorno às condições neutras no curto prazo.
Outro fator que contribui para esse processo é a atuação da Oscilação Madden-Julian (MJO), um importante sistema de variabilidade atmosférica tropical. Quando sua atividade se concentra sobre determinadas regiões do Pacífico, ela pode alterar a circulação dos ventos e favorecer o aquecimento das águas superficiais.
Com ventos alísios mais fracos, o transporte de águas quentes se intensifica, criando condições ainda mais favoráveis para a consolidação do El Niño.
Fenômeno já está instalado?
A resposta depende da metodologia utilizada pelos centros de monitoramento climático. Tradicionalmente, considera-se a ocorrência de El Niño quando as temperaturas da superfície do mar permanecem acima de determinados limiares por um período prolongado.
Sob essa análise clássica, diversos indicadores já apontam que as condições oceânicas compatíveis com o fenômeno estão presentes desde meados do primeiro semestre de 2026.
Entretanto, algumas instituições passaram a utilizar metodologias mais recentes, que levam em consideração o aquecimento global dos oceanos observado nas últimas décadas. Nesse caso, o fenômeno ainda estaria em fase de consolidação, embora os números atuais indiquem rápida aproximação dos critérios necessários para sua caracterização completa.
Independentemente da metodologia empregada, os especialistas concordam que o Pacífico apresenta um cenário de aquecimento robusto e consistente, compatível com a evolução de um evento de intensidade moderada a forte.
Brasil pode sentir os primeiros efeitos no segundo semestre
As projeções climáticas para os próximos meses sugerem que a atmosfera começará a responder de forma mais evidente ao aquecimento do oceano durante julho. A partir daí, os efeitos típicos do El Niño tendem a ganhar força gradualmente.
Na Região Sul do Brasil, a tendência é de chuvas acima da média ao longo do segundo semestre, aumentando o risco de temporais, enchentes e outros eventos extremos. Já as regiões Norte e Nordeste podem enfrentar redução das precipitações, cenário que favorece períodos mais prolongados de estiagem.
O Centro-Oeste e parte do Sudeste também poderão registrar impactos durante a primavera, principalmente com a diminuição das chuvas e o aumento das temperaturas.
As previsões indicam ainda que diversas áreas do centro-norte do país podem apresentar temperaturas acima da média histórica entre outubro e novembro. Em regiões afetadas por déficit hídrico, o calor poderá se intensificar de forma significativa, favorecendo a ocorrência de ondas de calor, aumento do risco de incêndios florestais e pressão adicional sobre os recursos hídricos.
Apesar das projeções apontarem para um evento potencialmente forte, meteorologistas ressaltam que os impactos finais dependem da interação entre o El Niño e outros sistemas atmosféricos. Por isso, os efeitos regionais podem variar em intensidade ao longo dos próximos meses.
O cenário atual, contudo, reforça a necessidade de acompanhamento contínuo das atualizações climáticas, especialmente diante da possibilidade de mudanças importantes no regime de chuvas e temperaturas em várias regiões brasileiras durante a segunda metade de 2026.
Crédito: Dados de monitoramento climático e projeções meteorológicas internacionais.


