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Nova IA enxerga regiões ativas do Sol 9 horas antes

O EarlyDetect cruza ondas acústicas e dados magnéticos da NASA para flagrar sinais de manchas solares, mas ainda não funciona em tempo real.

Por NR Support

18/10/26 – Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey (NJIT), nos Estados Unidos, desenvolveram um modelo de inteligência artificial capaz de identificar sinais de regiões ativas do Sol antes de elas aparecerem na superfície. Chamado EarlyDetect, o sistema chegou a antecipar o surgimento em 9,24 horas em seu melhor desempenho.

O trabalho foi descrito em artigo no Journal of Geophysical Research: Machine Learning and Computation. A relevância está no que essas áreas podem produzir: erupções solares e ejeções de massa coronal, fenômenos que, dependendo da intensidade, causam interferências na Terra.

Um problema de visibilidade

As regiões ativas começam a se formar abaixo da superfície visível da estrela. Por isso, os cientistas só enxergam as manchas solares depois que elas já se formaram. Para contornar a limitação, a equipe recorreu às assinaturas deixadas em ondas acústicas à medida que o campo magnético sobe pelo interior do Sol.

Como o EarlyDetect funciona

A cada hora, a IA analisa mapas de potência acústica e medições do campo magnético fornecidos pelo Observatório de Dinâmica Solar da NASA. A tarefa é encontrar padrões associados a uma região ativa em emergência. Os pesquisadores compararam o trabalho a detectar uma ligeira mudança de ritmo em uma orquestra muito ruidosa.

Durante o desenvolvimento, a equipe percebeu que a técnica inicial de filtragem apagava justamente as oscilações mais sutis, aquelas que o modelo precisava captar. Foi necessário reajustar o processo. Com o mecanismo calibrado, o sistema identificou os sinais precursores das manchas com a antecedência máxima de 9,24 horas.

Quem pode se beneficiar

Segundo Jonas Tirona, pesquisador do NJIT e líder do estudo, um alerta com essa antecedência poderia permitir que empresas de comunicação via satélite e de distribuição de energia se preparassem e, potencialmente, reduzissem os danos causados por tempestades solares.

Limites do modelo

O próprio estudo registra que o EarlyDetect ainda não faz previsões em tempo real. Treinado com base em eventos de emergência já conhecidos, o sistema também pode gerar alarmes falsos ocasionais e previsões tardias, o que exige aprimoramentos, conforme a pesquisa.

Fotos: NASA e reprodução